quarta-feira, 23 de março de 2016

Eu não sou cachorro não, ou talvez sim

... Daí meu vizinho, subsíndico, diz "Gininha, você é um Pit Bull". Eu concordo com ele pelas razões erradas. Tenho uma energia irracional para nossa nova república.

Eu faço esse serviço voluntário para a gente ter uma melhor qualidade de vida. O que me move é a alegria de uns e outros, a vontade de trabalhar, a teimosia e a esperança de chegarem vizinhos bacanas. A felicidade permanece como uma pergunta nadando nesse cansaço.

É uma missão escondida no tempo que as pessoas não dimensionam. É o processo no cartório, por exemplo, que durou de maio de 15 até fevereiro de 16 com alguns aborrecimentos porque tudo é muito contra a fluidez dos processos. É a discussão com a antiga administração que nos rendeu uma economia de quase quatro mil / ano. Além disso, quitamos nossa arrastada dívida com a contabilidade. E a tal da Embasa? A conta está 50% do valor mais baixo do que pagamos no ano passado. Não pagamos mais juros, multa e temos algum recurso não comprometido no final do mês. Somos ufa!-nistas. 

Em agosto de 15, tivemos uma importante assembleia sobre a re-reforma do telhado. Claro que depois de um ajuste de 65% no valor mensal, havia uma resistência generalizada contra a cobrança de taxa extra. Ok. Qual o acordo depois do parlatório? Chamar de taxa de investimento e oferecer  condições bacanas para pagamento. 

Houve um engajamento silencioso pró realização da obra. Em fevereiro de 16, esperávamos que ainda nos faltasse muito para fazer a reforma. Para nossa surpresa, só 0,025% estava pendente para integralizar o fundo. 

O tempo passou, vários prestadores de serviço passaram, aprendi um monte de coisa sobre laje, infiltração e afins, e finalmente amanhã começamos a reforma do telhado. Isso significa que daqui a quinze dias encerramos um longo ciclo de tensão, discórdia e transtornos. 

sábado, 5 de março de 2016

O barulho é meu

Cheguei aqui no apartamento e participei de uma ou duas assembleias. Na terceira eu estava em Manaus e, via SMS, fui eleita síndica. Me senti meio que ganhando uma medalha de miss simpatia com "rsrsrs" encravado na parte de trás.

Assumi logo depois do trabalho mais intenso na Bienal da Bahia. Acho que foi nesse tempo que consegui coordenar para fazer umas intervenções que meu apartamento precisava. Pedreiro, barulho e poeira. O prédio inteiro participava da obra.

Não falavam publicamente os rumores que vinculavam os barulhos ao fluxo de caixa do condomínio. Nasceu um fuxico murcho sobre meu monoplex.

Minha vizinha me contou a fofoca e estava feliz por ter saído em defesa da minha integridade. Eu sorri de volta. Nem precisava botar a mão no fogo por mim. É menos arriscado botar a mão na prestação de contas e correr os olhos nas transações bancárias.

Ninguém se dá ao trabalho de ver a prestação de contas mensal. Eu continuo a usar a medalha que me deram.
O prédio não tem placa com o nome, o nome dele é "128 depois do Salão de Beleza". . Roberta Hatty e Marina Hatty talvez lembrem de alguma placa. Ou professor Serafim, que também morou aqui. Por mim eu mandava fazer uma placa em letras cursivas dizendo "é aqui mesmo, pode chegar".

Quando eu colocar o nome numa faixa amarela, ai, ai, vão querer mudar o código civil e a convenção do condominio para que meus herdeiros, em nome do bom Deus, possam se encarregar dessa minha digníssima missão que ninguém quer.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Amor3

Hoje tive a notícia da redução de 50% do valor da conta de água. Há dois anos o prédio consumia 192m3, agora chegamos a 120m3. E não é porque nos tornamos bioagradáveis.

Isso, eu acho, é o efeito colateral da participação na assembleia de agosto/15 quando um vizinho apontou a urgência de fazermos um reparo na calçada. A demanda foi pra ata. O problema da calçada parecia simplório, mas era gravíssimo, tinha um vazamento gigantesco escondido debaixo das pedras portuguesas, falei sobre isso outro dia

[Ilo Alves e Aristides foram testemunhas da preparação do reparo].
Aproveitando essa intervenção emergencial, instalamos o Aquamax. Só então entendemos porque a cobrança de água subia tanto...

[Eu me fiz garota propaganda no último post, mas é possível que eu tenha precipitado meu entusiamo com o Aquamax. Ainda estou cruzando os dados pra entender direito o impacto do aparelho].

Se não fosse a assembleia, não teríamos reformado a calçada em dezembro.

O desperdício foi de 98m3 de água (em português: 1.500 reais). Conseguimos estagnar a despesa absurda e evitar o risco para as pessoas e para o trânsito aqui na Graça.

Meu ponto, finalmente, é que antes as pessoas se odiavam viceralmente. Hoje em dia a gente tem um clima tenso porque os problemas são muitos - eles são inimigos. Não somos inimigos uns dos outros. Eu continuo meu discurso de amor por princípio. Com amor, o universo conspira pela ordem natural.