Eu tive a infelicidade de fazer o acompanhamento da inadimplência e expor minha preocupação com os estragos da chuva em uma mesma mensagem. Ainda acamada por conta da virose, tratava por telefone da autorização dos pagamentos e pedi que me encaminhassem em arquivos separados a inadimplência identificada por unidade.
Encaminhei uma mensagem para um dos apartamentos que estão sofrendo com os estragos das fortes chuvas me solidarizando com a situação e lhes encaminhando uma lista de débitos indicados pela administradora. Ciente de que haveria débitos já quitados, pedi que apresentássem os comprovantes conforme havíamos conversado anteriormente.
Eis que um parente da proprietária que nunca havia se manifestado me responde colocando em cheque minha preocupação, que só queremos saber do pagamento da dívida, que ninguém se importa com quem mora lá, que, que, que... E aí estávamos em um confronto pessoal, ao invés de dedicar toda essa energia para objetivamente solucionar o problema.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
O patrimônio e o sistema furado
Os apartamentos do último andar foram castigados com tempestades da zona de convergência tropical. A má conservação da estrutura da cobertura se manifestou em goteiras enormes em diversos pontos da casa, água saindo pelos buracos das luminárias, pintura cedendo, baldes espalhados pela casa.
Visitei os dois apartamentos, um cenário devastador, Conta-se que a situação da cobertura do edifício se arrasta há mais de cinco anos, ninguém sabe precisar quando começou. O fato é que no ano passado o fato foi discutido em assembleia e ficou decidida a cobrança de longos meses de taxa extra para fazer a obra. Agora vem uma nova parte surpreendente: quem está na lista de inadimplentes (até que se comprove o contrário)? E quem nunca mais apareceu nas assembleias? Sem mais.
Os participantes das assembleias posteriores questionavam se a tal obra deveria ser mantida como prioridade. Discutiam as despesas perdendo de vista que a taxa de condomínio já estava defasada há alguns meses e que o recurso angariado para fazer a obra, na verdade, terminava por ser destinado a custear as despesas básicas. Mesmo assim os débitos em aberto se acumulavam - em especial uma dívida significativa com a Previdência Social e outra com a empresa contratada para fazer administração e contabilidade.
Ou seja, a obra não foi feita conta da inadimplência, da defasagem da taxa de condomínio , porque os interessados não estavam presentes na assembleia para defender a resolução do problema e também porque o conselho fiscal não aconselha nem fiscaliza a aplicação dos recursos.
E aí vem a chuva. E com a chuva, os estragos materiais e imateriais. Aí vem outra história.
Visitei os dois apartamentos, um cenário devastador, Conta-se que a situação da cobertura do edifício se arrasta há mais de cinco anos, ninguém sabe precisar quando começou. O fato é que no ano passado o fato foi discutido em assembleia e ficou decidida a cobrança de longos meses de taxa extra para fazer a obra. Agora vem uma nova parte surpreendente: quem está na lista de inadimplentes (até que se comprove o contrário)? E quem nunca mais apareceu nas assembleias? Sem mais.
Os participantes das assembleias posteriores questionavam se a tal obra deveria ser mantida como prioridade. Discutiam as despesas perdendo de vista que a taxa de condomínio já estava defasada há alguns meses e que o recurso angariado para fazer a obra, na verdade, terminava por ser destinado a custear as despesas básicas. Mesmo assim os débitos em aberto se acumulavam - em especial uma dívida significativa com a Previdência Social e outra com a empresa contratada para fazer administração e contabilidade.
Ou seja, a obra não foi feita conta da inadimplência, da defasagem da taxa de condomínio , porque os interessados não estavam presentes na assembleia para defender a resolução do problema e também porque o conselho fiscal não aconselha nem fiscaliza a aplicação dos recursos.
E aí vem a chuva. E com a chuva, os estragos materiais e imateriais. Aí vem outra história.
Inter-cobertura-fone e viroses
Era uma vez uma central de interfone velhinha do tempo do "vixe, nem sei quando". Assim que eleita, decidimos mudar a história do interfone do prédio. Desde outubro do ano passado demos início a este projeto revolucionário que visava trazer uma economia substancial de gritos, paciência e pernas. Sete meses já correram desde a pesquisa prelimiar de preço, assembleia, meses de quota extra, mentiras, atualização de cotação, adiamento do início do serviço e um surto de virose. O técnico me mantinha atualizada pelo Whatsapp falando das questões de saúde. Recebi mensagens de boa intenção dizendo "mas tarde estou aí". Muito boa vontade presente, ele não.
O técnico melhorou de saúde e chegou acompanhando para continuar a instalação. Trouxe um faz-tudo para ver o problema da cobertura do prédio. Uns dias antes eu havia pedido uma indicação de alguém para resolver temporariamente o problema da cobertura, ele me passou o número, mas o rapaz não estava disponível para vir na ocasião. O técnico o trouxe o faz-tudo com ele, escutou minha explanação e subiram os dois no telhado apesar das condições desfavoráveis (o zelador não estava, não atendia o telefone e eu não sabia onde estava a escada enorme do condomínio).
Eles tiraram fotos lá de cima e também mandaram algumas imagens pelo Whatsapp. Quando voltaram, pedi para gravar a conversa sobre o problema para que eu pudesse compartilhar com o subsíndico e com os moradores. O subsíndico e eu estavávamos cheios de teoria pensando que o problema seriam telhas quebradas e que só poderíamos fazer uma intervenção depois do período de chuva. Finalmente o problema parece ter sido a má preparação da massa que faz a ligação entre a telha e a parede. O sistema de escoamento precisa ser limpo, mas este é o problema menor. E o melhor, não seria necessário esperar passar a chuva, são só dois dias de trabalho. Com dois dias anunciados de tempo firme conseguimos solucionar este problema que se arrasta há mais de cinco anos.
Quanto aos rapazes, o faz-tudo não é muito chegado a e-mail, então o técnico se disponibilizou a ajudá-lo a me encaminhar a proposta. Uma bênção esse moço.
O técnico melhorou de saúde e chegou acompanhando para continuar a instalação. Trouxe um faz-tudo para ver o problema da cobertura do prédio. Uns dias antes eu havia pedido uma indicação de alguém para resolver temporariamente o problema da cobertura, ele me passou o número, mas o rapaz não estava disponível para vir na ocasião. O técnico o trouxe o faz-tudo com ele, escutou minha explanação e subiram os dois no telhado apesar das condições desfavoráveis (o zelador não estava, não atendia o telefone e eu não sabia onde estava a escada enorme do condomínio).
Eles tiraram fotos lá de cima e também mandaram algumas imagens pelo Whatsapp. Quando voltaram, pedi para gravar a conversa sobre o problema para que eu pudesse compartilhar com o subsíndico e com os moradores. O subsíndico e eu estavávamos cheios de teoria pensando que o problema seriam telhas quebradas e que só poderíamos fazer uma intervenção depois do período de chuva. Finalmente o problema parece ter sido a má preparação da massa que faz a ligação entre a telha e a parede. O sistema de escoamento precisa ser limpo, mas este é o problema menor. E o melhor, não seria necessário esperar passar a chuva, são só dois dias de trabalho. Com dois dias anunciados de tempo firme conseguimos solucionar este problema que se arrasta há mais de cinco anos.
Quanto aos rapazes, o faz-tudo não é muito chegado a e-mail, então o técnico se disponibilizou a ajudá-lo a me encaminhar a proposta. Uma bênção esse moço.
sábado, 23 de maio de 2015
O WhatsApp do interfone.
[eu, síndica] Hoje uma moça muito gracinha perguntou o que faz uma síndica feliz. Segui a trilha do meu pensamento e dei um palpite. Depois de uma semana turbulenta recebi uma mensagem do rapaz que está instalando o sistema de interfone. Ele mandou uma imagem no Whatsapp falando "aproveite o silêncio da noite e tenha certeza de que Deus está preparando um novo dia abençoado pra você". Taí. Tô sensível, achei bonito. vou dormir com a certeza de ter ganho um parceiro pra colaborar conosco. Depois conto a bênção que esse rapaz me trouxe. Meu novo bróder. O WhatsApp é demais.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Infiltração, teto, e-mail desaforado e energia canalizada para atacar e defender ao invés de discutir caminhos possíveis. Dois apartamentos estão sofrendo muito com as chuvas.
Dois do que nunca vão à assembleia. A avó de uma moradora veio pela manhã, uma senhora apareceu à tarde e o dia foi todo isso. Estou exaurida tentando relevar as agressões pessoais e focar no problema real, que é a cobertura do prédio. Hoje tá barril.
A amizade e o bolso por um triz
É triste quando você pega a lista de inadimplentes e vê um apartamento coligado. E sei que se a situação não se reequilibrar, acabará a gritaria, não vão mais chamar meu nome pela janela da área de serviço, vai acabar o cheiro de comida no tardar da noite, não vai ter mais cantoria na faxina da madrugada. E eu ficaria com os causos que já sei de cor (até melhor que o dono). E nós ficaríamos com mais saudades do que já plantamos.
Sim, este é um post conciliatório de amor (eles sabem disso).
Quando indivíduos decidem formar uma república geralmente uma pessoa assume um risco maior e assina o contrato de locação do imóvel. Os demais são solidários, mas nada lhes obrigam sê-lo. Eis que meu vizinho foi acometido pela falta de compromisso e dinheiro de seus amigos com quem ele dividia o apartamento. Isto começou uma pequena revolução caótica em sua vida. Os novos moradores, claro, nada tinham a ver com esse desordenado passado. O prejudicado, ciente e muito compreensivo da situação dos amigos, decidiu, resignado, carregar a dívida sozinho.
Enquanto a vida se ordenava do seu lado, uma história familiar descarrilhou. Lá foi nosso protagonista dar suporte aos seus. Levou consigo o montante reservado para quitar o débito do condomínio e desestabilizou o que estava prestes a se acertar.
E se no princípio era o verbo, ele e os companheiros; agora era o caos, a imobiliária, a administradora, a outra pessoa que assinou o contrato, o fiador, o SPC e eu.
E lá fomos nós desenhar passo a passo uma rota estratégica de emergência com alguns meses de duração. Tudo baseado em compromisso, negociação, comunicação e diálogo. "Tudo bem, o problema é seu, mas você tem a opção de dizer que está pesado e que ajuda será bem vinda". A ajuda, aqui, vem do senso de estar em comunidade e encontrar formas de colaborar que vão além da questão financeira.
O guerreiro silencioso é obstinado, mas termina assustando quem poderia estar do seu lado.
Eu espero celebrarmos o Dia do Fico.
Sim, este é um post conciliatório de amor (eles sabem disso).
Quando indivíduos decidem formar uma república geralmente uma pessoa assume um risco maior e assina o contrato de locação do imóvel. Os demais são solidários, mas nada lhes obrigam sê-lo. Eis que meu vizinho foi acometido pela falta de compromisso e dinheiro de seus amigos com quem ele dividia o apartamento. Isto começou uma pequena revolução caótica em sua vida. Os novos moradores, claro, nada tinham a ver com esse desordenado passado. O prejudicado, ciente e muito compreensivo da situação dos amigos, decidiu, resignado, carregar a dívida sozinho.
Enquanto a vida se ordenava do seu lado, uma história familiar descarrilhou. Lá foi nosso protagonista dar suporte aos seus. Levou consigo o montante reservado para quitar o débito do condomínio e desestabilizou o que estava prestes a se acertar.
E se no princípio era o verbo, ele e os companheiros; agora era o caos, a imobiliária, a administradora, a outra pessoa que assinou o contrato, o fiador, o SPC e eu.
E lá fomos nós desenhar passo a passo uma rota estratégica de emergência com alguns meses de duração. Tudo baseado em compromisso, negociação, comunicação e diálogo. "Tudo bem, o problema é seu, mas você tem a opção de dizer que está pesado e que ajuda será bem vinda". A ajuda, aqui, vem do senso de estar em comunidade e encontrar formas de colaborar que vão além da questão financeira.
O guerreiro silencioso é obstinado, mas termina assustando quem poderia estar do seu lado.
Eu espero celebrarmos o Dia do Fico.
Um lapso de segundo para ver a felicidade
... daí encontro uma vizinha que tem fama de mal-humorada. E lá vem ela muito agitada com o cabelo recém pintado de castanho. Não teve tempo de cortar porque "o dia encurta quando chove". Deixou a partida de futebol que estava vendo na TV a cabo para se arrumar e encontrar as amigas no térreo do prédio vizinho. "Acho que minha mãe me pariu na rua, adoro passear". Esse sorriso não grita pelos dentes, sussurra.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Se dá pra complicar, né? - Edição Extra
Apertei um nó com a administradora por conta dessa questão do interfone e só desembaraçamos hoje depois algum papo. Pra resumir, em outubro fizemos o tal levantamento de preço com dois fornecedores. Em abril, o supervisor da administradora me retransmitiu as duas propostas - ao invés solicitar a atualização por conta do correr dos meses, da crise, do preço da gasolina. Selecionei a proposta, o técnico veio fazer a visita preparatória, propõe fazermos a instalação de uma central digital, mais cara, e diz que de todo modo a proposta de outubro precisa sofrer ajuste por conta da necessidade de tubos e fios.
o técnico me manda um e-mail. O valor de R$ 2.500,00 escrito no email me ilude e eu mando uma mensagem para supervisor super chateada. É um absurdo o ajuste, vocês deveriam ter pedido a atualização da proposta antes, que falta de cuidado, que descuido. Eu teria que desmarcar com os moradores, fazer nova pesquisa... E mandei também um email curto e grosso pro técnico dizendo obrigada, assim não seria possível.... "Dona Gina", ele começa, "lembra que eu disse que ia mandar a proposta da central digital? Pois o valor de R$ 2.500,0 não era o ajuste, era para a central digital!" Ahh... Me perdoe. Sim, começamos amanhã.
Uns dias depois recebo um e-mail do supervisor: "D. Gina, a empresa que cotou mais barato, me falou que devido a demora na aprovação, houve reajuste de preço". respondo "ah, é"? Falou com quem mesmo? (Silêncio). Heim? E não tive mais resposta. Eu sou de papo reto. Liguei, deixei recado e finalmente fui ter com o dono da empresa para resolver esta e outras questões. O supervisor já estava de aviso prévio e está saindo da empresa nos próximos dias.
Finalmente a instalação do interfone avança bem. O técnico tá whatsapp, é uma simpatia. No início e no final do dia trocamos ideias sobre o andamento do serviço. E a central? Ele conseguiu um desconto e seremos uma comunidade interligada por uma moderna central digital para impressionar os amigos e os entregadores de pizza.
o técnico me manda um e-mail. O valor de R$ 2.500,00 escrito no email me ilude e eu mando uma mensagem para supervisor super chateada. É um absurdo o ajuste, vocês deveriam ter pedido a atualização da proposta antes, que falta de cuidado, que descuido. Eu teria que desmarcar com os moradores, fazer nova pesquisa... E mandei também um email curto e grosso pro técnico dizendo obrigada, assim não seria possível.... "Dona Gina", ele começa, "lembra que eu disse que ia mandar a proposta da central digital? Pois o valor de R$ 2.500,0 não era o ajuste, era para a central digital!" Ahh... Me perdoe. Sim, começamos amanhã.
Uns dias depois recebo um e-mail do supervisor: "D. Gina, a empresa que cotou mais barato, me falou que devido a demora na aprovação, houve reajuste de preço". respondo "ah, é"? Falou com quem mesmo? (Silêncio). Heim? E não tive mais resposta. Eu sou de papo reto. Liguei, deixei recado e finalmente fui ter com o dono da empresa para resolver esta e outras questões. O supervisor já estava de aviso prévio e está saindo da empresa nos próximos dias.
Finalmente a instalação do interfone avança bem. O técnico tá whatsapp, é uma simpatia. No início e no final do dia trocamos ideias sobre o andamento do serviço. E a central? Ele conseguiu um desconto e seremos uma comunidade interligada por uma moderna central digital para impressionar os amigos e os entregadores de pizza.
terça-feira, 12 de maio de 2015
Procurando sarna pra dominar o mundo
Eu tive um sonho e liguei para a empresa que me presta assessoria contábil pra saber se poderia traçar uma estratégia para ampliar meus domínios.
- Rapaz... Veja bem... Junto do meu prédio tem outros quatro mais ou menos com o mesmo perfil. Predinhos pequenininhos de uns 30, 40 anos, cada um com umas 11 unidades, sem garagem, sem elevador. E se a gente juntasse tudo num condomínio só? Aí ao invés de pagar 1/11 dos custos da contabilidade, por exemplo, cada unidade pagaria 1/55! Ou seja, hoje se pagamos, a título de exemplo, R$ 800,00, cada apartamento custeia R$ 72,72 do serviço. Com a unificação cada um pagaria R$ 14,54! Com a unificação, poderíamos aproveitar a energia contida do nosso zelador, que passaria menos tempo discutindo na sombra do outro lado da rua. E nem posso imaginar as coisas que poderíamos solucionar ... E ao invés de compartilharmos os mesmos problemas separadamente, teríamos novos problemas juntos.
Ele disse que tudo posso, nada impede. Eu sorri pensando em fazer o caminho de Borneo, Vietnã, China, Vladvostok e América do Norte até 2020.
- Rapaz... Veja bem... Junto do meu prédio tem outros quatro mais ou menos com o mesmo perfil. Predinhos pequenininhos de uns 30, 40 anos, cada um com umas 11 unidades, sem garagem, sem elevador. E se a gente juntasse tudo num condomínio só? Aí ao invés de pagar 1/11 dos custos da contabilidade, por exemplo, cada unidade pagaria 1/55! Ou seja, hoje se pagamos, a título de exemplo, R$ 800,00, cada apartamento custeia R$ 72,72 do serviço. Com a unificação cada um pagaria R$ 14,54! Com a unificação, poderíamos aproveitar a energia contida do nosso zelador, que passaria menos tempo discutindo na sombra do outro lado da rua. E nem posso imaginar as coisas que poderíamos solucionar ... E ao invés de compartilharmos os mesmos problemas separadamente, teríamos novos problemas juntos.
Ele disse que tudo posso, nada impede. Eu sorri pensando em fazer o caminho de Borneo, Vietnã, China, Vladvostok e América do Norte até 2020.
sábado, 9 de maio de 2015
Bom dia, qual meu problema?
Hoje fui à Coelba:
- Moço, bom dia, eu gostaria de saber por quê não vou poder trocar a titularidade de minha conta de luz agora.
- Senhora, o procedimento é imediato, basta apresentar a documentação necessária.
- Certo, eu tenho conta de energia, comprovante do IPTU, contrato de compra e venda, RG. E CPF. O que mais vou precisar trazer quando voltar da próxima vez?
- Nada, está tudo aqui. Vou fazer a transferência.
Ele olha fixo pra tela do computador.
- Moço... Deu problema no sistema? Por que não vamos conseguir mudar a conta para meu nome hoje?
- O sistema está processando... Senhora...
- Hãn... Descobriu o problema?
- Não podemos fazer a transferência agora porque a leitura da conta está prevista pra hoje e não fazemos alteração quatro dias antes a quatro dias depois da data da leitura.
- Ótimo. Era isso que eu precisa saber. Semana que vem eu volto aqui.
- Moço, bom dia, eu gostaria de saber por quê não vou poder trocar a titularidade de minha conta de luz agora.
- Senhora, o procedimento é imediato, basta apresentar a documentação necessária.
- Certo, eu tenho conta de energia, comprovante do IPTU, contrato de compra e venda, RG. E CPF. O que mais vou precisar trazer quando voltar da próxima vez?
- Nada, está tudo aqui. Vou fazer a transferência.
Ele olha fixo pra tela do computador.
- Moço... Deu problema no sistema? Por que não vamos conseguir mudar a conta para meu nome hoje?
- O sistema está processando... Senhora...
- Hãn... Descobriu o problema?
- Não podemos fazer a transferência agora porque a leitura da conta está prevista pra hoje e não fazemos alteração quatro dias antes a quatro dias depois da data da leitura.
- Ótimo. Era isso que eu precisa saber. Semana que vem eu volto aqui.
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Se dá pra complicar, né?
Bem, na minha cabeça a substituição do sistema de interfone ia ser assim:
Pesquisa de preço > Assembleia para aprovar taxa extra > Atualização das propostas > Visita pré-contratação Contratação > Agendar com os vizinhos > Acompanhar a instalação
Risos.
A pesquisa de preço começou lá por outubro de 2014 e só teve duas propostas. Já falei sobre isso. O administrador disse que é difícil receber cotação, que os técnicos não usam tanto e-mail, etc. A assembleia rolou em dezembro, a cota extra foi aprovada, até março alguns apartamentos não pagaram. Quase furou o esquema.
A administradora ficou de me encaminhar as propostas atualizadas em abril. Ao invés disso, me reencaminhou as que tinham sido enviadas em outubro. Eles ficaram de marcar com o fornecedor da melhor proposta. Uma semana depois, silêncio e aquelas irritantes marcas de visualização do Whatsappp. Eu agendo com o fornecedor 14h. 14h30 eu ligo e ele me diz super simpático que não me esqueceu. Chegou 16h30, fez a visita e disse que precisaria atualizar a proposta por conta de um material a mais e do preço das coisas. Ok, contratado. Começamos na sexta.
Daí mando um e-alô para a vizinhança pra combinar a programação. Como só umas três pessoas respondem, imprimo o e-mail e o zelador distribui o documento com protocolo. Tudo caminhando bem. Vou respondendo mensagens atendendo aos emails e telefonemas de remanejamento de programação da instalação. Quase tudo certo. QUASE. O técnico teve um chamado de urgência, vai viajar pro interior. Ah, e a proposta aumentou em mais de quatrocentos reais, você viu o e-mail que mandei? A outra proposta só de outubro... Vamos nessa... Procuro o zelador para ver pelo protocolo quem confirmou a instalação no final de semana. Procuro, ligo pro celular, grito pela janela e pela escada. Vazio. Mando um novo e-salve comunidade, o técnico teve que adiar o início da instalação, câmbio. Hoje só semana que vem. Viu? Alô?
Pesquisa de preço > Assembleia para aprovar taxa extra > Atualização das propostas > Visita pré-contratação Contratação > Agendar com os vizinhos > Acompanhar a instalação
Risos.
A pesquisa de preço começou lá por outubro de 2014 e só teve duas propostas. Já falei sobre isso. O administrador disse que é difícil receber cotação, que os técnicos não usam tanto e-mail, etc. A assembleia rolou em dezembro, a cota extra foi aprovada, até março alguns apartamentos não pagaram. Quase furou o esquema.
A administradora ficou de me encaminhar as propostas atualizadas em abril. Ao invés disso, me reencaminhou as que tinham sido enviadas em outubro. Eles ficaram de marcar com o fornecedor da melhor proposta. Uma semana depois, silêncio e aquelas irritantes marcas de visualização do Whatsappp. Eu agendo com o fornecedor 14h. 14h30 eu ligo e ele me diz super simpático que não me esqueceu. Chegou 16h30, fez a visita e disse que precisaria atualizar a proposta por conta de um material a mais e do preço das coisas. Ok, contratado. Começamos na sexta.
Daí mando um e-alô para a vizinhança pra combinar a programação. Como só umas três pessoas respondem, imprimo o e-mail e o zelador distribui o documento com protocolo. Tudo caminhando bem. Vou respondendo mensagens atendendo aos emails e telefonemas de remanejamento de programação da instalação. Quase tudo certo. QUASE. O técnico teve um chamado de urgência, vai viajar pro interior. Ah, e a proposta aumentou em mais de quatrocentos reais, você viu o e-mail que mandei? A outra proposta só de outubro... Vamos nessa... Procuro o zelador para ver pelo protocolo quem confirmou a instalação no final de semana. Procuro, ligo pro celular, grito pela janela e pela escada. Vazio. Mando um novo e-salve comunidade, o técnico teve que adiar o início da instalação, câmbio. Hoje só semana que vem. Viu? Alô?
segunda-feira, 4 de maio de 2015
O surreal número matriz da matrícula mãe do DAJE lá no Comércio só até 14h
Uma das missões que herdei da administração anterior é conseguir registrar a convenção do condomínio. Parece simples como três palavras, mas é um desafio para o universo da lógica.
PARTE 1
Primeiro: aprovar o texto da convenção (não participei dessa odisseia, com certeza teria me divertido muito com os absurdos). Daí, recolher as assinaturas e reconhecer firma de 2/3 dos proprietários (salvo engano, já conseguimos isso). Bem, somos 11 unidades. Aproximando 2/3 pra baixo dá 7 apartamentos e alguns meses de trabalho. Faltava ainda recolher o número de matrícula no cartório de registro de imóveis.
Desde que fui eleita, tenho falado pessoalmente, mandado correspondências, missivas, ofícios, e-mails e recados pelo zelador, pedindo encarecidamente aos prezados proprietários que informassem o número da matrícula. Inicialmente pensávamos que seria suficiente informar a matrícula da maioria. Então, depois de comemorar dos sete, a contadora finalmente passou informações completas sobre o processo. Descobri que precisávamos dos onze que a a mocinha do atendimento da administradora do condomínio não conhece o procedimento. Okay. Faltam quatro.
PESSOAL, precisamos de seu número de matrícula, etc. coisa e tal, para podermos registrar a convenção. Somente com a convenção registrada podemos solicitar o certificado digital, que é um ... um... negócio que dá acesso aos sistemas... sistemas da previdência, do FGTS, PIS... daí podemos fazer parcelamento simplificado de dívidas, entre outras coisas que... precisam ser feitas porque é assim nesse País... Sem o certificado digital a gente precisa pagar extra para a contabilidade fazer o que a própria contabilidade irá fazer sem ser paga. Sem a convenção a gente não pode trocar de banco. No banco que estamos, a administradora tem que usar a minha senha para fazer as transações bancárias, o que significa que eu autentico as operações que eles fazem, o que me deixa refém do caráter de quem sabe minha senha.
Não vão dar não? Como é isso? Tem que ter uma alternativa!
PARTE 2
"Você vai ao Cartório de Registro de Imóveis que fica no Comércio perto do Bradesco e pede uma certidão matriz positiva de inteiro teor com descrição das unidades na qual conste a matrícula dos imóveis do condomínio. Daí você paga uma DAJE, zum, zum, eco, eco...". Entendi bem e fui ao cartório cheia de contentamento pra resolver logo essa pendenga. Peguei uma senha para escutar:
-Sim, e qual o número mãe da matrícula? (...) não posso fazer nada (..) não, minha senhora, amanhã você me traz o registro de seu imóvel e a gente vê qual é o número e resolve".
Qual o problema? Primeiro é que ninguém me disse que o CNPJ ali não vale nada, fui ao cartório sem orientações completas.
Qual o segundo problema? Eles não iriam resolver, "Senhora, esse prédio é muito antigo, não posso fazer nada (...). Nada. (...) 'Como assim'que os registros dos imóveis estão nos livros e quem pesquisa nos livros se aposentou. Não está vendo aqui no cartaz? Não temos pessoal e não posso gerar processo, nem DAJE nem nada. (...) Não, não tem prazo pra resolver".
Então fui ter com a oficiala, que me disse tudo e novo com afeto, cuidado e detalhes adicionais. Bem, se você quer vender um imóvel e não sabe o livro e o número de matrícula no 1º Cartório, você não vende o imóvel. Está tudo parado sem perspectiva. Agora preciso voltar à missão de ter todos os números. Só faltam quatro matrículas. Quais? Os mesmos que recebem cartas extra judiciais lembrando das taxas de condomínio atrasadas.
PARTE 3
Como o processo é custoso, um dia desses vai rolar assembleia pra deliberar sobre a taxa extra para os custos de registro e o bendito certificado digital.
PARTE 1
Primeiro: aprovar o texto da convenção (não participei dessa odisseia, com certeza teria me divertido muito com os absurdos). Daí, recolher as assinaturas e reconhecer firma de 2/3 dos proprietários (salvo engano, já conseguimos isso). Bem, somos 11 unidades. Aproximando 2/3 pra baixo dá 7 apartamentos e alguns meses de trabalho. Faltava ainda recolher o número de matrícula no cartório de registro de imóveis.
Desde que fui eleita, tenho falado pessoalmente, mandado correspondências, missivas, ofícios, e-mails e recados pelo zelador, pedindo encarecidamente aos prezados proprietários que informassem o número da matrícula. Inicialmente pensávamos que seria suficiente informar a matrícula da maioria. Então, depois de comemorar dos sete, a contadora finalmente passou informações completas sobre o processo. Descobri que precisávamos dos onze que a a mocinha do atendimento da administradora do condomínio não conhece o procedimento. Okay. Faltam quatro.
PESSOAL, precisamos de seu número de matrícula, etc. coisa e tal, para podermos registrar a convenção. Somente com a convenção registrada podemos solicitar o certificado digital, que é um ... um... negócio que dá acesso aos sistemas... sistemas da previdência, do FGTS, PIS... daí podemos fazer parcelamento simplificado de dívidas, entre outras coisas que... precisam ser feitas porque é assim nesse País... Sem o certificado digital a gente precisa pagar extra para a contabilidade fazer o que a própria contabilidade irá fazer sem ser paga. Sem a convenção a gente não pode trocar de banco. No banco que estamos, a administradora tem que usar a minha senha para fazer as transações bancárias, o que significa que eu autentico as operações que eles fazem, o que me deixa refém do caráter de quem sabe minha senha.
Não vão dar não? Como é isso? Tem que ter uma alternativa!
PARTE 2
"Você vai ao Cartório de Registro de Imóveis que fica no Comércio perto do Bradesco e pede uma certidão matriz positiva de inteiro teor com descrição das unidades na qual conste a matrícula dos imóveis do condomínio. Daí você paga uma DAJE, zum, zum, eco, eco...". Entendi bem e fui ao cartório cheia de contentamento pra resolver logo essa pendenga. Peguei uma senha para escutar:
-Sim, e qual o número mãe da matrícula? (...) não posso fazer nada (..) não, minha senhora, amanhã você me traz o registro de seu imóvel e a gente vê qual é o número e resolve".
Qual o problema? Primeiro é que ninguém me disse que o CNPJ ali não vale nada, fui ao cartório sem orientações completas.
Qual o segundo problema? Eles não iriam resolver, "Senhora, esse prédio é muito antigo, não posso fazer nada (...). Nada. (...) 'Como assim'que os registros dos imóveis estão nos livros e quem pesquisa nos livros se aposentou. Não está vendo aqui no cartaz? Não temos pessoal e não posso gerar processo, nem DAJE nem nada. (...) Não, não tem prazo pra resolver".
Então fui ter com a oficiala, que me disse tudo e novo com afeto, cuidado e detalhes adicionais. Bem, se você quer vender um imóvel e não sabe o livro e o número de matrícula no 1º Cartório, você não vende o imóvel. Está tudo parado sem perspectiva. Agora preciso voltar à missão de ter todos os números. Só faltam quatro matrículas. Quais? Os mesmos que recebem cartas extra judiciais lembrando das taxas de condomínio atrasadas.
PARTE 3
Como o processo é custoso, um dia desses vai rolar assembleia pra deliberar sobre a taxa extra para os custos de registro e o bendito certificado digital.
Desculpe o fuá. Eu nem ligo.
Lá vem essa história do interfone. Ô causa desacreditada!
Esse ano rolou a quota extra da substituição do sistema de interfone. Arrecadamos o valor pra fazer o investimento, solicitei à administradora que me apresentasse cotações atualizadas. Na reunião de condomínio, um mês depois do pedido, fiz o maior fuá com o administrador pelo seguinte:
Recebemos duas propostas. A primeira foi bem apresentada e custou tanto. A outra não traz detalhamento algum, é simplória, e custou um tanto e meio. Os valores são muito diferentes e a segunda empresa nem aparece no Google. NEM APARECE NO GOOGLE. Eu falei da impressão de que não houve dedicação para coletar propostas, que parecia armação de empresas associadas. Ou seja, eu disse que aquilo parecia um serviço muito mal feito.
Vou não sou de passar recado, liguei pro responsável para dizer o que eu pensava. Ele me escutou pacientemente e assim que parei para escutar sua resposta, ele me deu uma lição sobre os prestadores de serviço, sobre as dificuldades de muitas pessoas apresentarem propostas comerciais - ainda mais por e-mail. A-ham... Entendi... Então ficou combinado na semana passada que ele agendaria a visita nos próximos dias. E permaneci no aguardo até hoje. Finalmente liguei diretamente pro rapaz da melhor proposta e ele virá amanhã à tarde.
Espero que o amanhã dele seja igual ao meu amanhã.
Esse ano rolou a quota extra da substituição do sistema de interfone. Arrecadamos o valor pra fazer o investimento, solicitei à administradora que me apresentasse cotações atualizadas. Na reunião de condomínio, um mês depois do pedido, fiz o maior fuá com o administrador pelo seguinte:
Recebemos duas propostas. A primeira foi bem apresentada e custou tanto. A outra não traz detalhamento algum, é simplória, e custou um tanto e meio. Os valores são muito diferentes e a segunda empresa nem aparece no Google. NEM APARECE NO GOOGLE. Eu falei da impressão de que não houve dedicação para coletar propostas, que parecia armação de empresas associadas. Ou seja, eu disse que aquilo parecia um serviço muito mal feito.
Vou não sou de passar recado, liguei pro responsável para dizer o que eu pensava. Ele me escutou pacientemente e assim que parei para escutar sua resposta, ele me deu uma lição sobre os prestadores de serviço, sobre as dificuldades de muitas pessoas apresentarem propostas comerciais - ainda mais por e-mail. A-ham... Entendi... Então ficou combinado na semana passada que ele agendaria a visita nos próximos dias. E permaneci no aguardo até hoje. Finalmente liguei diretamente pro rapaz da melhor proposta e ele virá amanhã à tarde.
Espero que o amanhã dele seja igual ao meu amanhã.
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