sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Record de amor

Enquanto isso, nesta nobre sexta-feira, onze seres humanos se reuniram para discutir os rumos da nano-economia do nosso condomínio. A cada ano batemos um record de participação: oito de onze apartamentos engajados em temas diversos como inadimplência, vazamento, barbará, gata, décadas, chumbinho, segurança, extintor de incêndio, plantas, taxa extra, etc. etc.. Felizmente, a pauta é extensa e não sobra tempo para política externa. Estamos trabalhando há dois com mais abraços amistosos e sem chiliques. A campanha do Ano Novo está lançada: 2017 e inadimplência zero!

terça-feira, 7 de junho de 2016

Vamos substituir o portão principal de acesso ao prédio e estou aqui pensando em ideias miraculosas. Está aberta a temporada de pensamentos coletivos.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Geral, Participativo e Extraordinário

Duas quintas por ano são aleatoriamente reservadas para a realização de assembleias:
- Uma ordinária, para escolher o(a) síndico(a) através do método de nomeação exclusão simples dos desinteressados
- E uma extraordinária para apresentar as contas e aumentar condomínio.

Ano passado tivemos duas assembleias: uma para ajustar o valor do condomínio em 67% e outra em agosto para aumentar ainda mais. Um aumento de pouco mais de 230% relativo ao valor inicial do ano para a re-reforma do telhado

A primeira quinta foi semana passada. O zelador recolheu as assinaturas dos alheios ao mundo digital. Para os outros, e-mail e whatsapp. Saldo final: três justificativas de ausência, dois apartamento vazios, um alugado e uma adolescente desinteressada (três de onze só aparecem quando suas unidades estão querendo resolver algum problema entre eles e o condomínio).

A assembleia dos quatro começou cumprindo a pauta que viria depois d'o que ocorrer'. E foram histórias de pássaros enterrados no quintal, causos de vizinhos, falta de bons dias e simpatias.

Em seguida, indo no sentido oposto da pauta, listamos as benfeitorias que seriam feitas com o valor que não foi aplicado no telhado. A ata expandia. Ficou decidido que os inadimplentes irão receber uma carta antipática com um texto padrão com um layout desanimador.

(Nosso vizinho atrasava o pagamento por desobediência civil e <causava> com a contabilidade pediu amorosamente que eu lhe mande uma carta dizendo que ele está adimplente. Por nada. Só por satisfação de jogar os boletos e comprovantes antigos no lixo).

Era tarde e ainda estávamos no que ocorrer. Três de nós mergulhamos na planilha financeira para brigar com as despesas. Despistamos de alguns valores grandes reduzindo investimentos. me isentamos da taxa e ficamos bem abaixo do índice de aumento de preços. Foi um intenso processo de orçamento participativo. Quem se deu (de) bem foi o zelador. Analisamos um possível 2017 sem ele e chegamos à conclusão que... "ói.. deixa como está mesmo".

E não deu para concluir o primeiro ponto da pauta (aprovação do regimento interno) porque ninguém tinha lido o documento. Mas esse mês sai. Ah, se sai.

[Leia mais um monte de histórias em http://chameasindica.blogspot.com.br/]

Matador de aluguel

Chegando da primeira assembleia do ano. Vou adiantar uma das melhores partes:
- menina, você tem que mandar podar essa mangueira.
- ó, eu mandei recado pra nosso vizinho agrônomo para ele dar opinião sobre como a gente faz a poda. Eu morro de medo de fazerem uma poda errada e matarem a mangueira.
- mas quem vai cortar a árvore não é Waldemar?
- ele vai fazer a poda depois que a gente estiver aconselhado.
- sim, mas se a mangueira morrer é culpa de quem?
- mas ela não pode morrer não. A gente gosta dela.
- sim, mas se ela morrer a culpa é de Waldemar, você não tem nada com isso não.

E nada como a selvageria dos assuntos aleatórios para despistar a conversa.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Buscando cerâmicas florais no Aquidabã

Um dia tenho que desenhar a história do latifúndio improdutivo da garagem de meu antigo prédio. É um caso econômico-político difícil cheio de teorias e difícil encurtar, enquanto isso conto outra).

Desde que cheguei aqui (e muito antes disso), pedir táxi e pizza aqui no prédio era uma missão com alguns parágrafos. A referência consensual era "depois do salão, à direita (...) não, não tem nome, senhora".

A história do letreiro começou quando o subsíndico trouxe umas amostras de números e letras de cerâmica especial com detalhes azuis e amarelos. Coisa linda, mas a loja não tem o jogo completo, fica para a próxima.

Na Comercial Ramos, eis que encontro uma promoção de luminárias, lâmpadas de LED com desconto e um mostruário quase completo das peças de cerâmica: muitos "tem" contrastando com dois "mas acabou". Tinha esperança de rapidamente encontrar o número um e os vazios que faltavam. Sete Portas, Barros Reis, Alto das Pombas, Brotas ou, quem sabe, na Boca do Rio. Nada. Desesperançada, fui procurar o número um e os vazios na internet. No domingo à noite escrevi para o fabricante praticamente negociando resgate.

A semana começou logo cedo com uma mensagem breve e objetiva dizendo que eu deveria entrar em contato com um Fernando em um telefone com dêdêdê de Salvador. O senhor já atendeu respondendo - É a senhora que está procurando o número um? 
- Sim! E dois vazios também, por favor. 

Finalmente, no mesmo dia, o irmão do sócio do representante me fez a gentileza de me entregar as peças aqui em casa antes de ir para o centro espírita.

Fim da história: teremos um comum e precioso letreiro de floral instalado bem na véspera da próxima assembleia.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Olha a rasgação de seda

PEEENSE que terminamos hoje a reforma do telhado. Recebi no whatsapp um vídeo do encarregado da obra comentando o trabalho. Fim da obra, muita alegria, entulho, fatura pra pagar e elogios recíprocos no zap:
- Leonel, você é show!
- China, você é top!

quarta-feira, 23 de março de 2016

Eu não sou cachorro não, ou talvez sim

... Daí meu vizinho, subsíndico, diz "Gininha, você é um Pit Bull". Eu concordo com ele pelas razões erradas. Tenho uma energia irracional para nossa nova república.

Eu faço esse serviço voluntário para a gente ter uma melhor qualidade de vida. O que me move é a alegria de uns e outros, a vontade de trabalhar, a teimosia e a esperança de chegarem vizinhos bacanas. A felicidade permanece como uma pergunta nadando nesse cansaço.

É uma missão escondida no tempo que as pessoas não dimensionam. É o processo no cartório, por exemplo, que durou de maio de 15 até fevereiro de 16 com alguns aborrecimentos porque tudo é muito contra a fluidez dos processos. É a discussão com a antiga administração que nos rendeu uma economia de quase quatro mil / ano. Além disso, quitamos nossa arrastada dívida com a contabilidade. E a tal da Embasa? A conta está 50% do valor mais baixo do que pagamos no ano passado. Não pagamos mais juros, multa e temos algum recurso não comprometido no final do mês. Somos ufa!-nistas. 

Em agosto de 15, tivemos uma importante assembleia sobre a re-reforma do telhado. Claro que depois de um ajuste de 65% no valor mensal, havia uma resistência generalizada contra a cobrança de taxa extra. Ok. Qual o acordo depois do parlatório? Chamar de taxa de investimento e oferecer  condições bacanas para pagamento. 

Houve um engajamento silencioso pró realização da obra. Em fevereiro de 16, esperávamos que ainda nos faltasse muito para fazer a reforma. Para nossa surpresa, só 0,025% estava pendente para integralizar o fundo. 

O tempo passou, vários prestadores de serviço passaram, aprendi um monte de coisa sobre laje, infiltração e afins, e finalmente amanhã começamos a reforma do telhado. Isso significa que daqui a quinze dias encerramos um longo ciclo de tensão, discórdia e transtornos. 

sábado, 5 de março de 2016

O barulho é meu

Cheguei aqui no apartamento e participei de uma ou duas assembleias. Na terceira eu estava em Manaus e, via SMS, fui eleita síndica. Me senti meio que ganhando uma medalha de miss simpatia com "rsrsrs" encravado na parte de trás.

Assumi logo depois do trabalho mais intenso na Bienal da Bahia. Acho que foi nesse tempo que consegui coordenar para fazer umas intervenções que meu apartamento precisava. Pedreiro, barulho e poeira. O prédio inteiro participava da obra.

Não falavam publicamente os rumores que vinculavam os barulhos ao fluxo de caixa do condomínio. Nasceu um fuxico murcho sobre meu monoplex.

Minha vizinha me contou a fofoca e estava feliz por ter saído em defesa da minha integridade. Eu sorri de volta. Nem precisava botar a mão no fogo por mim. É menos arriscado botar a mão na prestação de contas e correr os olhos nas transações bancárias.

Ninguém se dá ao trabalho de ver a prestação de contas mensal. Eu continuo a usar a medalha que me deram.
O prédio não tem placa com o nome, o nome dele é "128 depois do Salão de Beleza". . Roberta Hatty e Marina Hatty talvez lembrem de alguma placa. Ou professor Serafim, que também morou aqui. Por mim eu mandava fazer uma placa em letras cursivas dizendo "é aqui mesmo, pode chegar".

Quando eu colocar o nome numa faixa amarela, ai, ai, vão querer mudar o código civil e a convenção do condominio para que meus herdeiros, em nome do bom Deus, possam se encarregar dessa minha digníssima missão que ninguém quer.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Amor3

Hoje tive a notícia da redução de 50% do valor da conta de água. Há dois anos o prédio consumia 192m3, agora chegamos a 120m3. E não é porque nos tornamos bioagradáveis.

Isso, eu acho, é o efeito colateral da participação na assembleia de agosto/15 quando um vizinho apontou a urgência de fazermos um reparo na calçada. A demanda foi pra ata. O problema da calçada parecia simplório, mas era gravíssimo, tinha um vazamento gigantesco escondido debaixo das pedras portuguesas, falei sobre isso outro dia

[Ilo Alves e Aristides foram testemunhas da preparação do reparo].
Aproveitando essa intervenção emergencial, instalamos o Aquamax. Só então entendemos porque a cobrança de água subia tanto...

[Eu me fiz garota propaganda no último post, mas é possível que eu tenha precipitado meu entusiamo com o Aquamax. Ainda estou cruzando os dados pra entender direito o impacto do aparelho].

Se não fosse a assembleia, não teríamos reformado a calçada em dezembro.

O desperdício foi de 98m3 de água (em português: 1.500 reais). Conseguimos estagnar a despesa absurda e evitar o risco para as pessoas e para o trânsito aqui na Graça.

Meu ponto, finalmente, é que antes as pessoas se odiavam viceralmente. Hoje em dia a gente tem um clima tenso porque os problemas são muitos - eles são inimigos. Não somos inimigos uns dos outros. Eu continuo meu discurso de amor por princípio. Com amor, o universo conspira pela ordem natural.