quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Ratos imaginários, pedras e Barros

Estamos aqui nos encaminhamentos d´o que ocorrer da assembleia de agosto de 2014.

Meu vizinho sinalizou que o condomínio precisava consertar o passeio. Tinha um buraco que ele achava que tinha sido feito por um rato, um ser humano poderia se acidentar e arriscaríamos ser processados.

Eu estava bem confiante e orgulhosa que o carregamento de pedras portuguesas daria conta do assunto. O buraco esperou pacientemente pelo meu retorno. Ontem, eu, o subsíndico, o pedreiro e o zelador nos reunimos no térreo para discutir sobre as pedras e as águas. Quase Manoel de Barros.

E minha confiança, atônica, abatida com o o fato de não haver rato algum. Era uma infiltração meteórica debaixo do passeio por conta de um cano rachado. E o carregamento de pedras portuguesas não tinha pedras pretas, só marrons e brancas.

Aí mandei um zap para dona do apartamento do subsolo dizendo que solucionamos um problema que não sabíamos que tínhamos.

("Digitando...").
- Ok.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Bomba, tremor e subsolo

O silêncio desses últimos meses não significa nada; estou aqui na ativa. Eu estava no Chile durante o terremoto e a bomba de água do prédio queimou. Meu vizinho mandou uma mensagem. Fiz logo um grupo no whatsapp juntando nós, o subsindico e a empresa de contabilidade pra dar um suporte administrativo. Meu vizinho saiu pra comprar a bomba, o subsindico autorizou o reembolso, chegou a bomba, já acharam um broder pra fazer a instalação e pronto. 

Da última vez que rolou problema com a bomba teve mais emoção. Foram uns dois dias sem água subindo e descendo pro reservatório. Conheci um monte de gente. Quem tava puto, tava puto. Quem ria, ria. No subsolo não tinha farsa nem indiferença.
Quando me chamam Dona Gina me sinto latifundiária.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Campanha de reeleição

Vivo entre a realidade dura das infiltrações e vazamentos, mas achei espaço para sonhar. O subsíndico, se acabando de rir, me chamou de maluca. Tenho determinação, vai dar pé. 

Passando pela Barra negociei receber o entulho de uma obra. Duas viagens de uma saveiro abarrotada de pedras portuguesas. Vou propor fazermos um pátio na área do fundo do prédio. 

Promessa de campanha para minha reeleição.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Telhado e amor

[eu, síndica] Mais segredos do telhado. Antes de mandar o tal-edital de convocação para assembleia do telhado, chamei todo mundo na chincha. Protocolei uma pergunta sobre qual o melhor dia a assembleia, duas opções. "E o que te impede de participar?". Convocação carimbada.

Moradores vieram do Recôncavo e da Chapada Diamantina. Teve parente procurador. Sete apartamentos representados. Sete de onze. Poderíamos ter sido oito - se os afetados diretamente pela infiltração tivessem aparecido.

A assembleia começou em primeira convocação com resenhas de viagens pro interior e fofocas de moradores antigos. Em segunda convocação, evitamos as ciladas, sustentamos a urgência da obra apesar das ausências físicas e financeiras.

Pense que todos os presentes participaram do debate. Aos treze de agosto de 2015, ficou decidida por unanimidade a cobrança de taxa ext... "Não diga taxa extra", escreva aí "investimento". Os moradores têm seis meses para integralizar o investimento da maneira como QUI-SE-REM. De uma vez, de duas, dez, cinquenta vezes... Isso até dia 10 de fevereiro, quando juros e multas se apresentam em centenas, dezenas e centavos.

A assembleia se desfez e alguns de nós ficamos para a resenha final. Um vizinho contou que se pelava de medo de outro por conta dos transtornos de reformas. Recentemente eles se cumprimentaram sorrindo na rua.

Eu corri pra fazer a ata e recolher as assinaturas. No sábado 9h da manhã meu interfone tocou. Então às 10h
- Que preguiça é essa?? Acorda, minha filha!!
- Acordar eu acordo, mas só amanhã!
- Entendi..! Depois você me chama.

Segunda de manhã, o interfone da incrível central digital funcinou mais uma vez.
- Estou te ligando pra dizer que a data da ata veio errada. E o CPF do subsíndico.

Era o senhor de sempre, de todas as histórias. A pessoa mais apaixonada por esse condomínio. Amor tão grande que assusta.
Hoje na visita de um moço faz-tudo admiro muito.
- E aí agora que a patroa pediu os tempos... As coisas se acertaram?
- Gina, tá tudo mudado, tá uma correria. Daqui vou lá na Barra, depois volto pra Graça e lá no Costa Azul. Preciso de uma secretária.
- (eu ri)
- Mas é sério, eu preciso de uma secretária, preciso aprender esse negócio de computador. Comprei um computador. Tive que mudar de casa porque lá em casa não dava mais. Saí quarto e sala. A casa agora tem os equipamentos, os andaimes. Porque alugar é prejuízo, né? Pense aí. Meu advogado disse que tem que fazer contrato. Levei os papeis no Sebrae e agora sou micro empresário Aí tem que ter impressora. A primeira via é minha. Vou lá no Costa Azul para pegar o contrato e ver o trabalho dos meninos que eu trouxe do interior.
- (...) Sim, e o valor do serviço da calçada?
- Vou ver se consigo umas pedras portuguesas numa obra lá em cima. Te falo mais tarde pelo whatsapp.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Mau dia e cinquenta reais de boa vontade

[eu, síndica] Me lembro sempre de uma moça que me perguntou "o que faz a felicidade de uma síndica". Eu viro o dia pelo avesso. Faço como nós mulheres fazemos: pego a bolsa e jogo todo conteúdo em cima da cama. No princípio é o caos. Então as coisas e os trechos vão para seus lugares. Nem tudo é necessaire, claro - mas às vezes aparece uma nota graúda perdida.

Todo esse preâmbulo nonsense para começar a falar de cartório, lembrar que as coisas simples complicam e as complicadas dissolvem. Continuo com a missão de registrar a convenção iniciada em 2013. Não me pergunte por quê, mas estou há dez meses correndo atrás de 11 números de matrículas, 11 números de CPF, 10 assinaturas e 7 firmas reconhecidas. Além disso, como a administradora do prédio achou só precisava de uma via do documento, lá fui eu atrás de 10 assinaturas e 7 firmas reconhecidas para a segunda via. E os cartórios entram em greve.

E hoje, acordo feliz para reconhecer a última firma da última via... A moça diz que a assinatura não bate. Logo assinatura de um vizinho do interior que nunca está na cidade. Entre idas e volta, finalmente identificaram a assinatura com outro documento e pronto. Eu tinha 15 minutos para chegar no cartório do comércio (a oficiala só trabalha até 11h).

Eu já estava com todos documentos em mãos preparada para mais uma operação fracassada. O caso é que registro requer uma relação de unidades, proprietários e números de matrícula no cartório. Como de um dos apartamentos não se sabe a matrícula, precisávamos solicitar uma certidão. SÓ QUE, como o prédio é antigo, os registros estão nos Livros pré 76 e ninguém que sabe procurar no Livro. O embate estava armado: ou eles abrem uma exceção, ou entro uma ação de Habbeas Data para obrigá-los a resolver o problema e nos fornecer a informação.

Procurei a oficiala e então soube que o cartório havia sido privatizado. Fui apresentar a situação ao novo responsável e descobri que eles contrataram uma pessoa que trabalhou no cartório há 40 anos (se bem entendi) para ensinar como ler os Livros.

(Enquanto isso, fila ia até do balcão até o olho da rua. Enquanto eu era atendida, uma pessoa do cartório informou que lá fora estava um caos. A máquina da senha não estava funcionando. O rapaz simplesmente orientou a fazer as senhas manualmente. A fila se dissolveu e o silêncio voltou a reinar na sala de espera).

Recebi novas instruções. Entrei em contato com a vizinha para confirmar os dados. Eu, já chateada com os transtornos acumulados e porque ela não nunca responde a qualquer mensagem minha. Além de faltar a inscrição, o nome completo e o CPF que eu tinha não eram do proprietário do imóvel. As informações que eu tinha eram da mãe e o apartamento era do tio. Ele faleceu há duas semanas. E a mãe está bem doente, foi internada ontem, está no hospital. Ela absolutamente exaurida.

Voltei para o responsável, contei que estava encurralada. Ele mostrou a saída. Basta o número do IPTU para saber quem é o proprietário e também o CPF. Consegui o número, ele fez a gentileza de fazer a busca na internet e dei entrada no pedido da certidão. Foi como ganhar duas manhãs e achar uma nota de cinquenta reais dobradinha no fundo da bolsa. A certidão deve sair em vinte dias. Depois temos mais uns três meses para tramitar o registro.

O subsíndico respondeu ao e-mail que mandei reclamando de minha saga. Ele me chamou de Maria Quitéria. Eu respondi que quero mesmo é comemorar o registro da convenção na Proclamação da República. E assim marcaremos o nascimento de um condomínio de Repúblicas que tem uma maravilhosa central digital de interfone e plantinhas nas portas dos apartamentos!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Tenho que admitir recorrentemente que os cartórios privados oferecem um serviço incomparavelmente superior aos dos cartórios públicos. O atendimento para serviços como autenticações e reconhecimento de firma são medidos em milímetros-luz, Eu tenho problemas com essa eficiência: me distraio, perco a vez e tenho pegar duas ou três senhas mais. Agora aprendi. Fico em pé com meus quatro olhos sem piscar encarando o painel.

Antes mesmo de pegar minha senha tive dois lapsos de felicidade. Primeiro, liguei para o cartório, a moça me atendeu com cordialidade, deu detalhes sobre o horário de funcionamento e teve a gentileza de confirmar que eles faziam serviço eu precisava.

Chego no cartório para reconhecer a sétima firma das duas vias da convenção do condomínio. Antes de me deixar abater com o pré-desanimo de dar continuidade aos trâmites no cartório do primeiro hospício, eis que encontro na mesa da recepção uns santinhos de Santo Expedito. Peguei alguns e agradeci emocionada. A moça me olhou estranho. 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Ligue os pontos.

Na manhã do último sábado, participei de um workshop sobre Sustentabilidade, Transparência e Aprovação de Contas do Condomínio junto com síndicos e simpatizantes de demonstrações contábeis. Os três temas fazem meu coração disparar. Como falou Rosely Schwartz no workshop, "o condomínio é a célula da sociedade" e "o que acontece no condomínio não é muito diferente do que acontece na política". Comprei o livro dela "Revolucionando o condomínio", mal posso esperar pelos cases.

A manhã começou bem. Sentados sem café, aguardávamos o início das atividades em um auditório para trezentas pessoas. Logo eu já trocava ideias e causos com um companheiro síndico, mas fomos interrompidos pelo mestre de cerimônias para cantar o hino nacional. As duas palestras de abertura foram uma surpresa ultra-neo-transdisciplinar. Registrei algumas palavras-chave para esquematizar o conteúdo.

Sustentabilidade - Consciência - Garrafa pet - Freud - Jung - Persona - Crise - Útero - Segmento condominial - Pracatum - Óleo de Cozinha - Luis XV - Roça - Lanterna - Não tem Toddyinho - "A gente tem que começar a buscar nossa siriguela" - "que frase você gostaria de colocar nesta lápide"?


quinta-feira, 16 de julho de 2015

PARTINDO P'R'AGRESTIA

[eu, síndica] Tive que partir p'r'agrestia. Solucionei um problema usando um e-mail TODO EM CAPSLOCK. Uma hora depois, três pessoas se trancaram em uma sala e só foram liberadas depois do horário do expediente. Mandaram uma resposta definitiva cheio de "senhora Gina" e algumas exclamações dizendo que o problema foi solucionado!!! - mas descobriram outro mistério burocrático bancário financeiro no código do boleto do vizinho. Bem, pelo menos o problema é novo e vistoso. Problema velho é ruim porque não tem mistério.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Senha 58

Estou no cartório do 1º ofício de registro de imóveis esperando ser maltratada, mandada embora sob a alegação que falta algum carimbo, xerox autenticada, firma reconhecida...

terça-feira, 16 de junho de 2015

A arte de fazer complô para o que ocorrer

Soube de um método aplicado por um grupo contra o conselho de administração de um condomínio. Uma pessoa angaria procurações de diversos condôminos e assim consegue fazer valer sua posição e oposição nas votações.

Causas justas, boa vontade e alumínio

Para meu pequeno condomínio, o debate sobre o lixo restringe-se à discussão sobre a conveniência de termos um funcionário para retirar o lixo dos apartamentos e empilhá-lo na calçada nas segundas, quartas e sextas. Com pouco dinheiro e muitos problemas, ainda não conseguimos integrar um sistema de reciclagem. Sim, um sistema. Precisamos de um conjunto de elementos, fluxos, instituições e pactos que juntos garantiriam a continuidade do movimento. A boa vontade afoita nos anima a deixar a inércia estática, mas se algum elemento chave falha, podemos cambalear e tombar frustrados tentando outra vez iniciativas solitárias.

Faço todo esse preâmbulo para contar dois casos de condomínios que aderiram à coleta de material reciclável.

Causo 1. A soberana assembleia decidiu firmar contrato com uma cooperativa de coleta de material reciclável. Logo foi instalada uma estrutura engraçada em formato de garrafa onde as pessoas rumariam tudo que consideravam reciclável. Houve uma campanha de sensibilização e muitos moradores aderiram; mas, como lixo é lixo, as caixas, garrafas e latas (para dizer o mínimo) ainda eram depositadas com restos de comida. A empresa talvez tenha subdimensionado a demanda. A incompetência logística comprometeu a coleta. Os ratos e baratas deram a palavra final na discussão e não se fala mais nisso.

Causo 2. O edifício, muito maior do que o do causo 1, institui uma comissão para discutir e propor à assembleia ações relativas à destinação de resíduos sólidos. Uma cooperativa torna-se parceira do condomínio. Sua condição é que eles façam também a coleta das latas. E o sistema se firma com um ambiente favorável: moradores engajados, avisos educativos, caixas adesivas e coletas periódicas. Um pequeno problema apareceu após uma festa. Um funcionário pediu para trocar o turno de trabalho para se encarregar da arrumação do salão de festa. Terminado o serviço, ele queria levar as latas e foi proibido pela pessoa responsável pelo salão de festa. Descompreendo, descompreendido, exaltado, arriscou levar uma advertência por falta disciplinar e insubordinação.




quinta-feira, 28 de maio de 2015

Sobre escolher batalhas

Eu tive a infelicidade de fazer o acompanhamento da inadimplência e expor minha preocupação com os estragos da chuva em uma mesma mensagem. Ainda acamada por conta da virose, tratava por telefone da autorização dos pagamentos e pedi que me encaminhassem em arquivos separados a inadimplência identificada por unidade.

Encaminhei uma mensagem para um dos apartamentos que estão sofrendo com os estragos das fortes chuvas me solidarizando com a situação e lhes encaminhando uma lista de débitos indicados pela administradora. Ciente de que haveria débitos já quitados, pedi que apresentássem os comprovantes conforme havíamos conversado anteriormente.

Eis que um parente da proprietária que nunca havia se manifestado me responde colocando em cheque minha preocupação, que só queremos saber do pagamento da dívida, que ninguém se importa com quem mora lá, que, que, que... E aí estávamos em um confronto pessoal, ao invés de dedicar toda essa energia para objetivamente solucionar o problema.

O patrimônio e o sistema furado

Os apartamentos do último andar foram castigados com tempestades da zona de convergência tropical. A má conservação da estrutura da cobertura se manifestou em goteiras enormes em diversos pontos da casa, água saindo pelos buracos das luminárias, pintura cedendo, baldes espalhados pela casa.

Visitei os dois apartamentos, um cenário devastador, Conta-se que a situação da cobertura do edifício se arrasta há mais de cinco anos, ninguém sabe precisar quando começou. O fato é que no ano passado o fato foi discutido em assembleia e ficou decidida a cobrança de longos meses de taxa extra para fazer a obra. Agora vem uma nova parte surpreendente: quem está na lista de inadimplentes (até que se comprove o contrário)? E quem nunca mais apareceu nas assembleias? Sem mais.

Os participantes das assembleias posteriores questionavam se a tal obra deveria ser mantida como prioridade. Discutiam as despesas perdendo de vista que a taxa de condomínio já estava defasada há alguns meses e que o recurso angariado para fazer a obra, na verdade, terminava por ser destinado a custear as despesas básicas. Mesmo assim os débitos em aberto se acumulavam - em especial uma dívida significativa com a Previdência Social e outra com a empresa contratada para fazer administração e contabilidade.

Ou seja, a obra não foi feita conta da inadimplência, da defasagem da taxa de condomínio , porque os interessados não estavam presentes na assembleia para defender a resolução do problema e também porque o conselho fiscal não aconselha nem fiscaliza a aplicação dos recursos.

E aí vem a chuva. E com a chuva, os estragos materiais e imateriais. Aí vem outra história.

Inter-cobertura-fone e viroses

Era uma vez uma central de interfone velhinha do tempo do "vixe, nem sei quando". Assim que eleita, decidimos mudar a história do interfone do prédio. Desde outubro do ano passado demos início a este projeto revolucionário que visava trazer uma economia substancial de gritos, paciência e pernas. Sete meses já correram desde a pesquisa prelimiar de preço, assembleia, meses de quota extra, mentiras, atualização de cotação, adiamento do início do serviço e um surto de virose. O técnico me mantinha atualizada pelo Whatsapp falando das questões de saúde. Recebi mensagens de boa intenção dizendo "mas tarde estou aí". Muito boa vontade presente, ele não.

O técnico melhorou de saúde e chegou acompanhando para continuar a instalação. Trouxe um faz-tudo para ver o problema da cobertura do prédio. Uns dias antes eu havia pedido uma indicação de alguém para resolver temporariamente o problema da cobertura, ele me passou o número, mas o rapaz não estava disponível para vir na ocasião. O técnico o trouxe o faz-tudo com ele, escutou minha explanação e subiram os dois no telhado apesar das condições desfavoráveis (o zelador não estava, não atendia o telefone e eu não sabia onde estava a escada enorme do condomínio).

Eles tiraram fotos lá de cima e também mandaram algumas imagens pelo Whatsapp. Quando voltaram, pedi para gravar a conversa sobre o problema para que eu pudesse compartilhar com o subsíndico e com os moradores. O subsíndico e eu estavávamos cheios de teoria pensando que o problema seriam telhas quebradas e que só poderíamos fazer uma intervenção depois do período de chuva. Finalmente o problema parece ter sido a má preparação da massa que faz a ligação entre a telha e a parede. O sistema de escoamento precisa ser limpo, mas este é o problema menor. E o melhor, não seria necessário esperar passar a chuva, são só dois dias de trabalho. Com dois dias anunciados de tempo firme conseguimos solucionar este problema que se arrasta há mais de cinco anos.

Quanto aos rapazes, o faz-tudo não é muito chegado a e-mail, então o técnico se disponibilizou a ajudá-lo a me encaminhar a proposta. Uma bênção esse moço.

sábado, 23 de maio de 2015

O WhatsApp do interfone.

[eu, síndica] Hoje uma moça muito gracinha perguntou o que faz uma síndica feliz. Segui a trilha do meu pensamento e dei um palpite. Depois de uma semana turbulenta recebi uma mensagem do rapaz que está instalando o sistema de interfone. Ele mandou uma imagem no Whatsapp falando "aproveite o silêncio da noite e tenha certeza de que Deus está preparando um novo dia abençoado pra você". Taí. Tô sensível, achei bonito. vou dormir com a certeza de ter ganho um parceiro pra colaborar conosco. Depois conto a bênção que esse rapaz me trouxe. Meu novo bróder. O WhatsApp é demais.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Infiltração, teto, e-mail desaforado e energia canalizada para atacar e defender ao invés de discutir  caminhos possíveis. Dois apartamentos estão sofrendo muito com as chuvas. 

Dois do que nunca vão à assembleia. A avó de uma moradora veio pela manhã, uma senhora apareceu à tarde e o dia foi todo isso. Estou exaurida tentando relevar as agressões pessoais e focar no problema real, que é a cobertura do prédio. Hoje tá barril. 

A amizade e o bolso por um triz

É triste quando você pega a lista de inadimplentes e vê um apartamento coligado. E sei que se a situação não se reequilibrar, acabará a gritaria, não vão mais chamar meu nome pela janela da área de serviço, vai acabar o cheiro de comida no tardar da noite, não vai ter mais cantoria na faxina da madrugada. E eu ficaria com os causos que já sei de cor (até melhor que o dono). E nós ficaríamos com mais saudades do que já plantamos.

Sim, este é um post conciliatório de amor (eles sabem disso).

Quando indivíduos decidem formar uma república geralmente uma pessoa assume um risco maior e assina o contrato de locação do imóvel. Os demais são solidários, mas nada lhes obrigam sê-lo. Eis que meu vizinho foi acometido pela falta de compromisso e dinheiro de seus amigos com quem ele dividia o apartamento. Isto começou uma pequena revolução caótica em sua vida. Os novos moradores, claro, nada tinham a ver com esse desordenado passado. O prejudicado, ciente e muito compreensivo da situação dos amigos, decidiu, resignado, carregar a dívida sozinho.

Enquanto a vida se ordenava do seu lado, uma história familiar descarrilhou. Lá foi nosso protagonista dar suporte aos seus. Levou consigo o montante reservado para quitar o débito do condomínio e desestabilizou o que estava prestes a se acertar.

E se no princípio era o verbo, ele e os companheiros; agora era o caos, a imobiliária, a administradora, a outra pessoa que assinou o contrato, o fiador, o SPC e eu.

E lá fomos nós desenhar passo a passo uma rota estratégica de emergência com alguns meses de duração. Tudo baseado em compromisso, negociação, comunicação e diálogo. "Tudo bem, o problema é seu, mas você tem a opção de dizer que está pesado e que ajuda será bem vinda". A ajuda, aqui, vem do senso de estar em comunidade e encontrar formas de colaborar que vão além da questão financeira.

O guerreiro silencioso é obstinado, mas termina assustando quem poderia estar do seu lado.

Eu espero celebrarmos o Dia do Fico.

Um lapso de segundo para ver a felicidade

... daí encontro uma vizinha que tem fama de mal-humorada. E lá vem ela muito agitada com o cabelo recém pintado de castanho. Não teve tempo de cortar porque "o dia encurta quando chove". Deixou a partida de futebol que estava vendo na TV a cabo para se arrumar e encontrar as amigas no térreo do prédio vizinho. "Acho que minha mãe me pariu na rua, adoro passear". Esse sorriso não grita pelos dentes, sussurra.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Se dá pra complicar, né? - Edição Extra

Apertei um nó com a administradora por conta dessa questão do interfone e só desembaraçamos hoje depois algum papo. Pra resumir, em outubro fizemos o tal levantamento de preço com dois fornecedores. Em abril, o supervisor da administradora me retransmitiu as duas propostas - ao invés solicitar a atualização por conta do correr dos meses, da crise, do preço da gasolina. Selecionei a proposta, o técnico veio fazer a visita preparatória, propõe fazermos a instalação de uma central digital, mais cara, e diz que de todo modo a proposta de outubro precisa sofrer ajuste por conta da necessidade de tubos e fios.

o técnico me manda um e-mail. O valor de R$ 2.500,00 escrito no email me ilude e eu mando uma mensagem para supervisor super chateada. É um absurdo o ajuste, vocês deveriam ter pedido a atualização da proposta antes, que falta de cuidado, que descuido. Eu teria que desmarcar com os moradores, fazer nova pesquisa... E mandei também um email curto e grosso pro técnico dizendo obrigada, assim não seria possível.... "Dona Gina", ele começa, "lembra que eu disse que ia mandar a proposta da central digital? Pois o valor de R$ 2.500,0 não era o ajuste, era para a central digital!" Ahh... Me perdoe. Sim, começamos amanhã.

Uns dias depois recebo um e-mail do supervisor: "D. Gina, a empresa que cotou mais barato, me falou que devido a demora na aprovação, houve reajuste de preço". respondo "ah, é"? Falou com quem mesmo? (Silêncio). Heim? E não tive mais resposta. Eu sou de papo reto. Liguei, deixei recado e finalmente fui ter com o dono da empresa para resolver esta e outras questões. O supervisor já estava de aviso prévio e está saindo da empresa nos próximos dias.

Finalmente a instalação do interfone avança bem. O técnico tá whatsapp, é uma simpatia. No início e no final do dia trocamos ideias sobre o andamento do serviço. E a central? Ele conseguiu um desconto e seremos uma comunidade interligada por uma moderna central digital para impressionar os amigos e os entregadores de pizza.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Procurando sarna pra dominar o mundo

Eu tive um sonho e liguei para a empresa que me presta assessoria contábil pra saber se poderia traçar uma estratégia para ampliar meus domínios.

- Rapaz... Veja bem... Junto do meu prédio tem outros quatro mais ou menos com o mesmo perfil. Predinhos pequenininhos de uns 30, 40 anos, cada um com umas 11 unidades, sem garagem, sem elevador. E se a gente juntasse tudo num condomínio só? Aí ao invés de pagar 1/11 dos custos da contabilidade, por exemplo, cada unidade pagaria 1/55! Ou seja, hoje se pagamos, a título de exemplo, R$ 800,00, cada apartamento custeia R$ 72,72 do serviço. Com a unificação cada um pagaria R$ 14,54! Com a unificação, poderíamos aproveitar a energia contida do nosso zelador, que passaria menos tempo discutindo na sombra do outro lado da rua. E nem posso imaginar as coisas que poderíamos solucionar ... E ao invés de compartilharmos os mesmos problemas separadamente, teríamos novos problemas juntos.

Ele disse que tudo posso, nada impede. Eu sorri pensando em fazer o caminho de Borneo, Vietnã, China, Vladvostok e América do Norte até 2020.

sábado, 9 de maio de 2015

Bom dia, qual meu problema?

Hoje fui à Coelba:
- Moço, bom dia, eu gostaria de saber por quê não vou poder trocar a titularidade de minha conta de luz agora.
- Senhora, o procedimento é imediato, basta apresentar a documentação necessária.
- Certo, eu tenho conta de energia, comprovante do IPTU, contrato de compra e venda, RG. E CPF. O que mais vou precisar trazer quando voltar da próxima vez?
- Nada, está tudo aqui. Vou fazer a transferência.
Ele olha fixo pra tela do computador.
- Moço... Deu problema no sistema? Por que não vamos conseguir mudar a conta para meu nome hoje?
- O sistema está processando... Senhora...
- Hãn... Descobriu o problema?
- Não podemos fazer a transferência agora porque a leitura da conta está prevista pra hoje e não fazemos alteração quatro dias antes a quatro dias depois da data da leitura.
- Ótimo. Era isso que eu precisa saber. Semana que vem eu volto aqui.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Se dá pra complicar, né?

Bem, na minha cabeça a substituição do sistema de interfone ia ser assim:

Pesquisa de preço > Assembleia para aprovar taxa extra > Atualização das propostas > Visita pré-contratação Contratação > Agendar com os vizinhos > Acompanhar a instalação

Risos.

A pesquisa de preço começou lá por outubro de 2014 e só teve duas propostas. Já falei sobre isso. O administrador disse que é difícil receber cotação, que os técnicos não usam tanto e-mail, etc. A assembleia rolou em dezembro, a cota extra foi aprovada, até março alguns apartamentos não pagaram. Quase furou o esquema.

A administradora ficou de me encaminhar as propostas atualizadas em abril. Ao invés disso, me reencaminhou as que tinham sido enviadas em outubro. Eles ficaram de marcar com o fornecedor da melhor proposta. Uma semana depois, silêncio e aquelas irritantes marcas de visualização do Whatsappp. Eu agendo com o fornecedor 14h. 14h30 eu ligo e ele me diz super simpático que não me esqueceu. Chegou 16h30, fez a visita e disse que precisaria atualizar a proposta por conta de um material a mais e do preço das coisas. Ok, contratado. Começamos na sexta.

Daí mando um e-alô para a vizinhança pra combinar a programação. Como só umas três pessoas respondem, imprimo o e-mail e o zelador distribui o documento com protocolo. Tudo caminhando bem. Vou respondendo mensagens atendendo aos emails e telefonemas de remanejamento de programação da instalação. Quase tudo certo. QUASE. O técnico teve um chamado de urgência, vai viajar pro interior. Ah, e a proposta aumentou em mais de quatrocentos reais, você viu o e-mail que mandei? A outra proposta só de outubro... Vamos nessa... Procuro o zelador para ver pelo protocolo quem confirmou a instalação no final de semana. Procuro, ligo pro celular, grito pela janela e pela escada. Vazio. Mando um novo e-salve comunidade, o técnico teve que adiar o início da instalação, câmbio. Hoje só semana que vem. Viu? Alô?




segunda-feira, 4 de maio de 2015

O surreal número matriz da matrícula mãe do DAJE lá no Comércio só até 14h

Uma das missões que herdei da administração anterior é conseguir registrar a convenção do condomínio. Parece simples como três palavras, mas é um desafio para o universo da lógica.

PARTE 1

Primeiro: aprovar o texto da convenção (não participei dessa odisseia, com certeza teria me divertido muito com os absurdos). Daí, recolher as assinaturas e reconhecer firma de 2/3 dos proprietários (salvo engano, já conseguimos isso). Bem, somos 11 unidades. Aproximando 2/3 pra baixo dá 7 apartamentos e alguns meses de trabalho. Faltava ainda recolher o número de matrícula no cartório de registro de imóveis.

Desde que fui eleita, tenho falado pessoalmente, mandado correspondências, missivas, ofícios, e-mails e recados pelo zelador, pedindo encarecidamente aos prezados proprietários que informassem o número da matrícula. Inicialmente pensávamos que seria suficiente informar a matrícula da maioria. Então, depois de comemorar dos sete, a contadora finalmente passou informações completas sobre o processo. Descobri que precisávamos dos onze que a a mocinha do atendimento da administradora do condomínio não conhece o procedimento. Okay. Faltam quatro.

PESSOAL, precisamos de seu número de matrícula, etc. coisa e tal, para podermos registrar a convenção. Somente com a convenção registrada podemos solicitar o certificado digital, que é um ... um... negócio que dá acesso aos sistemas... sistemas da previdência, do FGTS, PIS... daí podemos fazer parcelamento simplificado de dívidas, entre outras coisas que... precisam ser feitas porque é assim nesse País... Sem o certificado digital a gente precisa pagar extra para a contabilidade fazer o que a própria contabilidade irá fazer sem ser paga. Sem a convenção a gente não pode trocar de banco. No banco que estamos, a administradora tem que usar a minha senha para fazer as transações bancárias, o que significa que eu autentico as operações que eles fazem, o que me deixa refém do caráter de quem sabe minha senha.

Não vão dar não? Como é isso? Tem que ter uma alternativa!

PARTE 2

"Você vai ao Cartório de Registro de Imóveis que fica no Comércio perto do Bradesco e pede uma certidão matriz positiva de inteiro teor com descrição das unidades na qual conste a matrícula dos imóveis do condomínio. Daí você paga uma DAJE, zum, zum, eco, eco...". Entendi bem e fui ao cartório cheia de contentamento pra resolver logo essa pendenga. Peguei uma senha para escutar:

-Sim, e qual o número mãe da matrícula? (...) não posso fazer nada (..) não, minha senhora, amanhã você me traz o registro de seu imóvel e a gente vê qual é o número e resolve".

Qual o problema? Primeiro é que ninguém me disse que o CNPJ ali não vale nada, fui ao cartório sem orientações completas.

Qual o segundo problema? Eles não iriam resolver, "Senhora, esse prédio é muito antigo, não posso fazer nada (...). Nada. (...) 'Como assim'que os registros dos imóveis estão nos livros e quem pesquisa nos livros se aposentou. Não está vendo aqui no cartaz? Não temos pessoal e não posso gerar processo, nem DAJE nem nada. (...) Não, não tem prazo pra resolver".

Então fui ter com a oficiala, que me disse tudo e novo com afeto, cuidado e detalhes adicionais. Bem, se você quer vender um imóvel e não sabe o livro e o número de matrícula no 1º Cartório, você não vende o imóvel. Está tudo parado sem perspectiva. Agora preciso voltar à missão de ter todos os números. Só faltam quatro matrículas. Quais? Os mesmos que recebem cartas extra judiciais lembrando das taxas de condomínio atrasadas.

PARTE 3

Como o processo é custoso, um dia desses vai rolar assembleia pra deliberar sobre a taxa extra para os custos de registro e o bendito certificado digital.





Desculpe o fuá. Eu nem ligo.

Lá vem essa história do interfone. Ô causa desacreditada!

Esse ano rolou a quota extra da substituição do sistema de interfone. Arrecadamos o valor pra fazer o investimento, solicitei à administradora que me apresentasse cotações atualizadas. Na reunião de condomínio, um mês depois do pedido, fiz o maior fuá com o administrador pelo seguinte:

Recebemos duas propostas. A primeira foi bem apresentada e custou tanto. A outra não traz detalhamento algum, é simplória, e custou um tanto e meio. Os valores são muito diferentes e a segunda empresa nem aparece no Google. NEM APARECE NO GOOGLE. Eu falei da impressão de que não houve dedicação para coletar propostas, que parecia armação de empresas associadas. Ou seja, eu disse que aquilo parecia um serviço muito mal feito.

Vou não sou de passar recado, liguei pro responsável para dizer o que eu pensava. Ele me escutou pacientemente e assim que parei para escutar sua resposta, ele me deu uma lição sobre os prestadores de serviço, sobre as dificuldades de muitas pessoas apresentarem propostas comerciais - ainda mais por e-mail. A-ham... Entendi... Então ficou combinado na semana passada que ele agendaria a visita nos próximos dias. E permaneci no aguardo até hoje. Finalmente liguei diretamente pro rapaz da melhor proposta e ele virá amanhã à tarde.

Espero que o amanhã dele seja igual ao meu amanhã.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

40% água, 35% impropérios e 25% simpatia

Hoje recebi a visita do esposo da minha visita de ontem (ela veio trazer o malote no lugar do zelador). O senhor é conhecido pelo lado mais difícil de seu caráter intenso e passional. Ele subiu uns quatro lances de escada para atender pessoalmente ao pedido que fiz para informar o número da matrícula do imóvel no cartório. Eu tirei uma foto documento, expliquei pra que serviria e ele me perguntou "e você, como está? Está bem de saúde?". Conversamos brevemente e ele finalizou "esse prédio aqui era o melhor prédio da rua, hoje está assim, todo cheio de problema, todo acabado, a gente tem que ver quanto custa, dividir os custos e melhorar isso aqui. Surpreendente é que esta é a mesma pessoa que já ligou e disse o seguinte para as atendentes da administradora do condomínio, abre aspas, "isso aí é um prostíbulo, todo mundo tem que tomar no **, que porra é essa que vocês fazem?". Xinga, briga, é presença garantida em campeonatos de xadrez e nas assembleias de condomínio. Nós nos temos em alta estima.

Polimonossílábico, curto e grosso

[eu] - Oi! Bom dia, tudo bem? Vamos lá em cima para pegar umas coisas que a administradora... [zelador] - E é o quê?

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Emoção, vazamento e espiritualidade

Como o porteiro eletrônico ainda está com problemas tenho que descer para abrir as duas portas para as visitas. Eis que me bato com meu vizinho do térreo e sua filha, engatamos em uma conversa ótima sobre nossa situação precária e logo ele me revela que está desconsiderando de vender o apartamento porque as pessoas não se gritam mais nas assembleias. Fui convidada a ver a reforma do apartamento deles, que coisa linda. Daí conversamos da vida, de gesso, vazamentos, viagens. Retribuí o convite e os convidei para não apenas meu apartamento, como também e o apartamento dos nossos coligados. Assim, parte da coluna dos 01 estão devidamente apresentados com uma conexão direta para discutir encanamentos e possíveis festinhas também. Na verdade, meu vizinho aproveitou para fazer uma coisa que ele sabe que me desagrada muito: pegar as fotos que eles encontraram de uma suicida (ou que já foi ou é em potencial) com vários escritos no verso da 10x15. Sim, mas isso tem o quê a ver com o vazamento? É que os gatos ficavam olhando pra cima, pro teto do banheiro (EU NÃO QUERO NEM SABER). Nosso interlocutor responde interessadíssimo. Ambos acreditam em espíritos. "Vamos rezar por ela". OK! Mas lembrem que o condomínio vence dia 10. Beijo e fui!

Malote, amor e intriga

Minha vizinha, uma senhora (não por força da educação, mas por imposição do tempo), toca aqui em casa no final da manhã para entregar o malote da administração do condomínio. Hoje deu um baita temporal na madrugada e o zelador não havia chegado ainda. Vai e volta conversa, papo de feriado e feijoada. Logo ela parte para sua jornada de seis lances de escada rumo ao subsolo. Eu, encantada, comento com o zelador sobre o empenho e simpatia da vizinha (simpatia comigo frequente, mas atípica com uns e outros). Ele retrucou: - Mas Dona Gina, não se engane não, ela queria é pegar a oportunidade de falar mal de mim... E agora eu nessa sinuca de bico de interpretação sem saber ela mais gosta de mim ou mais desgosta dele. Acho que dá empate.

Aumenta a taxa e o amor extra

Acho que a assembleia foi um sucesso, só os mesmo 5 de 11 apartamentos participaram. Eu fui um pouco incisiva demais com o administrador (ô, povo simpático vaselina, né, Pedro Dultra Benevides?), mas o clima geral foi bastante amistoso. Rolou até piada, uns abraços e apertos de mão. Desde que cheguei, sempre fiz questão de ficar até o final das assembleias PORQUE, você sabe, as pessoas falam mal de quem não está... e sempre rolava aquela rodinha dos remanescentes falando dos outros. Eu é que não vou dar essa ousadia para falarem mal de mim. Honestamente a coisa que mais me impressionou hoje foi que a reunião terminou de uma vez só e todo mundo foi embora, tchau. Não rolou o climão da fofoca. Em suma, o valor da taxa extra foi debatido coletivamente entre durante o café com biscoito, desenhado no branco com canetas coloridas. Também descobrimos quem deixa o portão do prédio aberto. Ato de desobediência civil, teimosia contra as taxas extras que não foram destinadas à substituição do interfone. Fiquei com a cara mais séria, mas por dentro ri muito. Acho que, quando o prédio mudar o sistema do interfone, vai ter queima de fogos e vou ser coroada Imperatriz.

Assembleia do Pão de Queijo

Daqui a pouco começa a assembleia. Vai ter bolo, pão de queijo e café. A vizinha vai trazer bolacha. 1/ O administrador do condomínio, que está atrasado, mandou uma análise das contas para fazermos uma atualização da taxa de condomínio. Mandou um PDF que deve ter fonte 9. 2/ A administradora me mandou duas cotações pra substituir o interfone. Um orçamento todo bonito com um valor razoável e outro de uma empresa que não achei na primeira página do Google com um valor 50% mais caro. Hoje vamos com emoção.

Bom dia e problema meu

Deixei recado com o zelador que precisava falar com uma vizinha. Minha casa, de porta aberta, ele no corredor. A vizinha passa e eu escuto o recado sendo transmitido e logo depois bem a réplica: "Eu não quero falar com ela não, quero é resolver meu problema". É de partir o coração. Passo uma parte da semana tentando resolver nossos problemas, fazendo planejamento, indo pra contabilidade, cartório, cartório, banco, banco de novo, tentando baixar orçamento, pedindo desculpas pelo atraso pra pagar a contabilidade, dizendo bom dia pra quem fala mal por trás... Fiquei foi feliz de ter escutado ao vivo e ter tido a oportunidade de responder como é chato escutar uma coisa dessas "mas foi de brincadeira", mesmo de brincadeira. Eles vão é ver. Semana que vem tem assembleia e vou é levar café e bolo pra ver se esse povo me empresta um sorriso.