sábado, 5 de março de 2016

O barulho é meu

Cheguei aqui no apartamento e participei de uma ou duas assembleias. Na terceira eu estava em Manaus e, via SMS, fui eleita síndica. Me senti meio que ganhando uma medalha de miss simpatia com "rsrsrs" encravado na parte de trás.

Assumi logo depois do trabalho mais intenso na Bienal da Bahia. Acho que foi nesse tempo que consegui coordenar para fazer umas intervenções que meu apartamento precisava. Pedreiro, barulho e poeira. O prédio inteiro participava da obra.

Não falavam publicamente os rumores que vinculavam os barulhos ao fluxo de caixa do condomínio. Nasceu um fuxico murcho sobre meu monoplex.

Minha vizinha me contou a fofoca e estava feliz por ter saído em defesa da minha integridade. Eu sorri de volta. Nem precisava botar a mão no fogo por mim. É menos arriscado botar a mão na prestação de contas e correr os olhos nas transações bancárias.

Ninguém se dá ao trabalho de ver a prestação de contas mensal. Eu continuo a usar a medalha que me deram.
O prédio não tem placa com o nome, o nome dele é "128 depois do Salão de Beleza". . Roberta Hatty e Marina Hatty talvez lembrem de alguma placa. Ou professor Serafim, que também morou aqui. Por mim eu mandava fazer uma placa em letras cursivas dizendo "é aqui mesmo, pode chegar".

Quando eu colocar o nome numa faixa amarela, ai, ai, vão querer mudar o código civil e a convenção do condominio para que meus herdeiros, em nome do bom Deus, possam se encarregar dessa minha digníssima missão que ninguém quer.

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