segunda-feira, 4 de maio de 2015

O surreal número matriz da matrícula mãe do DAJE lá no Comércio só até 14h

Uma das missões que herdei da administração anterior é conseguir registrar a convenção do condomínio. Parece simples como três palavras, mas é um desafio para o universo da lógica.

PARTE 1

Primeiro: aprovar o texto da convenção (não participei dessa odisseia, com certeza teria me divertido muito com os absurdos). Daí, recolher as assinaturas e reconhecer firma de 2/3 dos proprietários (salvo engano, já conseguimos isso). Bem, somos 11 unidades. Aproximando 2/3 pra baixo dá 7 apartamentos e alguns meses de trabalho. Faltava ainda recolher o número de matrícula no cartório de registro de imóveis.

Desde que fui eleita, tenho falado pessoalmente, mandado correspondências, missivas, ofícios, e-mails e recados pelo zelador, pedindo encarecidamente aos prezados proprietários que informassem o número da matrícula. Inicialmente pensávamos que seria suficiente informar a matrícula da maioria. Então, depois de comemorar dos sete, a contadora finalmente passou informações completas sobre o processo. Descobri que precisávamos dos onze que a a mocinha do atendimento da administradora do condomínio não conhece o procedimento. Okay. Faltam quatro.

PESSOAL, precisamos de seu número de matrícula, etc. coisa e tal, para podermos registrar a convenção. Somente com a convenção registrada podemos solicitar o certificado digital, que é um ... um... negócio que dá acesso aos sistemas... sistemas da previdência, do FGTS, PIS... daí podemos fazer parcelamento simplificado de dívidas, entre outras coisas que... precisam ser feitas porque é assim nesse País... Sem o certificado digital a gente precisa pagar extra para a contabilidade fazer o que a própria contabilidade irá fazer sem ser paga. Sem a convenção a gente não pode trocar de banco. No banco que estamos, a administradora tem que usar a minha senha para fazer as transações bancárias, o que significa que eu autentico as operações que eles fazem, o que me deixa refém do caráter de quem sabe minha senha.

Não vão dar não? Como é isso? Tem que ter uma alternativa!

PARTE 2

"Você vai ao Cartório de Registro de Imóveis que fica no Comércio perto do Bradesco e pede uma certidão matriz positiva de inteiro teor com descrição das unidades na qual conste a matrícula dos imóveis do condomínio. Daí você paga uma DAJE, zum, zum, eco, eco...". Entendi bem e fui ao cartório cheia de contentamento pra resolver logo essa pendenga. Peguei uma senha para escutar:

-Sim, e qual o número mãe da matrícula? (...) não posso fazer nada (..) não, minha senhora, amanhã você me traz o registro de seu imóvel e a gente vê qual é o número e resolve".

Qual o problema? Primeiro é que ninguém me disse que o CNPJ ali não vale nada, fui ao cartório sem orientações completas.

Qual o segundo problema? Eles não iriam resolver, "Senhora, esse prédio é muito antigo, não posso fazer nada (...). Nada. (...) 'Como assim'que os registros dos imóveis estão nos livros e quem pesquisa nos livros se aposentou. Não está vendo aqui no cartaz? Não temos pessoal e não posso gerar processo, nem DAJE nem nada. (...) Não, não tem prazo pra resolver".

Então fui ter com a oficiala, que me disse tudo e novo com afeto, cuidado e detalhes adicionais. Bem, se você quer vender um imóvel e não sabe o livro e o número de matrícula no 1º Cartório, você não vende o imóvel. Está tudo parado sem perspectiva. Agora preciso voltar à missão de ter todos os números. Só faltam quatro matrículas. Quais? Os mesmos que recebem cartas extra judiciais lembrando das taxas de condomínio atrasadas.

PARTE 3

Como o processo é custoso, um dia desses vai rolar assembleia pra deliberar sobre a taxa extra para os custos de registro e o bendito certificado digital.





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